Mostrando postagens com marcador Tom Jobim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tom Jobim. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Garota de Ipanema

Garota de Ipanema
Tom Jobim e Vinícius de Moraes
1962

"Garota de Ipanema" é uma das mais conhecidas canções da Bossa Nova e da Música Popular Brasileira, foi composta em 1962 por Vinícius de Moraes e Antônio Carlos Jobim.

Em 19/03/1963 foi lançada pela gravadora Verve Records e no ano seguinte, saiu no LP "Getz/Gilberto", interpretada por Astrud Gilberto em conjunto com João Gilberto e Stan Getz, com a participação de Tom Jobim ao piano.

A versão original da música, com o nome de "Menina Que Passa", era diferente e continha a seguinte letra, composta por  Vinícius de Moraes:

Vinha cansado de tudo
De tantos caminhos
Tão sem poesia
Tão sem passarinhos
Com medo da vida
Com medo de amar
Quando na tarde vazia
Tão linda no espaço
Eu vi a menina
Que vinha num passo
Cheio de balanço
Caminho do mar

Porém, nem Tom Jobim nem Vinícius de Moraes gostaram da letra da canção. Então a versão definitiva foi refeita mais tarde por Vinícius de Moraes, inspirado em Helô Pinheiro, que passava frequentemente em frente ao Bar Veloso, hoje Garota de Ipanema, em Ipanema, Rio de Janeiro.

Tom Jobim e Vinícius de Moraes frequentavam assiduamente o bar, que dispunha de pequenas mesas na calçada. A Garota de Ipanema, Heloísa Pinheiro, morava na Rua Montenegro, 22 e somente dois anos e meio depois, já com namorado, ficou sabendo que era a inspiração da canção.

Provavelmente em retribuição à homenagem, Heloísa Pinheiro, quando se casou, convidou Tom Jobim e sua esposa Teresa para serem padrinhos.

Vinícius de Moraes e Helô Pinheiro
Outras Versões

Uma versão instrumental desta canção já foi feita para o filme "Garota de Ipanema", de 1967.

A versão em inglês desta canção se chama "The Girl From Ipanema", cuja letra foi escrita por Norman Gimbel em 1963. Já foi cantada por Frank Sinatra, Cher, Mariza, Madonna, Sepultura, Amy Winehouse e vários outros artistas.

Um dueto entre a cantora e apresentadora Xuxa e Daniel Jobim, neto de Tom Jobim, fez parte da trilha sonora e da abertura da novela "Aquele Beijo" (2011), da TV Globo, e de autoria de Miguel Falabella, exibida no horário da 19:00 hs.

"Garota de Ipanema" foi a única canção de outros autores a ter sido interpretada pela banda Casseta & Planeta. Era cantada por Hubert imitando Paulo Francis. Atração frequente dos primeiros espetáculos da banda, foi incluída no videocassete "Casseta Popular & Planeta Diário Em Conserto" (sic), mas não nos discos subsequentes.

A canção inspirou outra da banda americana The B-52's com "Girl From Ipanema Goes To Greenland" (Garota de Ipanema Foi Para a Groenlândia), presente no disco "Bouncing Off The Satellites" (1986). É uma metáfora, já que a "Garota de Ipanema", representa uma garota alegre e atraente e a Groenlândia, um lugar frio, representa uma personalidade fria. Resumindo, é uma garota atraente que se torna insensível.



Garota de Ipanema

Olha que coisa mais linda,
mais cheia de graça.
É ela menina,
que vem e que passa.
Num doce balanço
a caminho do mar

Moça do corpo dourado,
do sol de Ipanema.
O seu balançado
é mais que um poema.
É a coisa mais linda
que eu já vi passar.

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe!
A beleza que não é só minha,
que também passa sozinha.

Ah, se ela soubesse
que quando ela passa.
O mundo inteirinho
se enche de graça.
E fica mais lindo
por causa do amor.

domingo, 18 de maio de 2014

Chega de Saudade

Chega de Saudade
Vinícius de Moraes e Tom Jobim
1956

"Chega de Saudade" é uma canção escrita por Vinícius de Moraes (letra) e por Antonio Carlos Jobim (música), em meados dos anos 50.

Que a canção "Chega de Saudade" inaugurou a Bossa Nova, nos idos de 1958, quase todo mundo sabe. Que a música popular brasileira nunca mais foi a mesma depois que João Gilberto gravou essa música, embora a primeira gravação fosse de Elizeth Cardoso, ao som do violão do próprio João Gilberto, também é fato notório. Mas vejamos aqui o depoimento de Vinícius de Moraes, na coletânea de artigos "Samba Falado" (Rio de Janeiro, Beco do Azougue, 2008), quando ele diz como a canção "Chega de Saudade" foi composta. 

Nesse mesmo ano de 1956, Tom, depois de preparada a partitura da minha peça "Orfeu da Conceição", resolveu ir descansar em Poço Fundo, lá para os lados de Itaipava, onde seu pai tem um sítio. Quatro sambas (os nossos primeiros) haviam saído dessa safra, todos para o "Orfeu". "Se Todos Fossem Iguais a Você", "Lamento no Morro", "Mulher, Sempre Mulher" e "Um Nome de Mulher". Minha valsa "Eurídice" seria usada como o tema da mulher amada. Tudo andava sobre rodinha e eu, uma vez escolhido o diretor e os atores, achei-me com direito de ter uma angina de garganta, que me bateu na cama.
Foi no meio dessa angina que Tom, um dia, de volta da montanha, chegou à minha casa, na Rua Henrique Drummond, sentou-se ao meu lado e, depois de um papo manso, pegou meu violão e pôs-se a tocar um sambinha que logo alertou o ouvido.
- Você gosta? – perguntou-me ele ao terminar.
- Faz de novo.
Tom repetiu-o umas dez vezes. Era uma graça total, com um tecido melancólico e plangente, e bastante "chorinho lento" no seu espírito. Eu fiquei de saída com a melodia no ouvido, e vivia a cantarolá-la dentro de casa, à espera de uma deixa para a poesia.
Aquilo sim, me parecia uma música inteiramente nova, original: inteiramente diversa de tudo que viera antes dela, mas tão brasileira quanto qualquer choro de Pixinguinha ou samba de Cartola. Um samba todo em voltas, onde cada compasso era uma nota de amor, cada nota uma saudade de alguém longe.
Mas a letra não vinha. De vez em quando eu me sentava à minha mesa, diante da janela que dava para o Country (hoje a casa foi, é claro, transformada em mais um prédio de apartamentos...), e tentava. Mas o negócio não vinha. Acho que em toda a minha vida de letrista nunca levei uma surra assim. Fiz dez, vinte tentativas. Houve uma ocasião em que dei o samba como pronto, à exceção de dois versos finais da primeira parte, que eu sabia quais eram, mas que não havia maneira de se encaixarem na música, numa relação de sílaba com sílaba. Eu já estava ficando furioso, pois Tom, embora não me telefonasse reclamando nada, estava esperando pelo resultado.
Uma manhã, depois da praia, subitamente a resolução chegou. Fiquei tão contente que cheguei a dar um berro de alegria, para grande susto de minhas duas filhinhas. Cantei e recantei o samba, prestando atenção a cada detalhe, a cor das palavras em correspondência à da música, à acentuação das tônicas, aos problemas de respiração dentro dos versos, a tudo. Queria depois dos sambas do "Orfeu", apresentar ao meu parceiro uma letra digna de sua nova música: pois eu realmente a sentia nova, caminhando numa direção a que não saberia dar nome ainda, mas cujo nome já estava implícito na criação. Era realmente a bossa nova que nascia, a pedir apenas, na sua interpretação, a divisão que João Gilberto descobriria logo depois.
Intitulei-o "Chega de Saudade" recorrendo a um de seus versos. Telefonei para Tom e dei um pulo a seu apartamento. O jovem maestro sentou-se ao piano e eu cantei-lhe o samba duas ou três vezes, sem que ele dissesse nada. Depois, vi-o pegar o papel, colocá-lo sobre a estante do piano e cantá-lo ele próprio. E em breve chamar sua mulher em tom vibrante:
- Teresa!
O resto sabemos... a música brasileira jamais foi a mesma depois de "Chega de Saudade".
(Vinícius de Moraes)

Para conhecer mais sobre a vida e obra de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, visite o blog Famosos Que Partiram.



Chega de Saudade

Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse

Porque não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz Não há beleza
É só tristeza e a melancolia

Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai
Mas, se ela voltar

Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos

Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calada assim,

Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De você longe de mim
Não quero mais esse negócio

De você viver sem mim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim...


Fonte: Wikipédia e MusicBlog

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Águas de Março

Águas de Março
Tom Jobim
1972

"Águas de Março" é uma famosa canção brasileira do compositor, músico, arranjador, cantor e maestro Tom Jobim, de 1972. A canção foi lançada inicialmente no compacto simples "Disco de Bolso, o Tom de Jobim e o Tal de João Bosco" e, a seguir, no álbum "Matita Perê", no ano seguinte.

Em 1974, uma versão em dueto com Elis Regina foi lançada no LP "Elis & Tom". Posteriormente, Tom Jobim compôs uma versão em língua inglesa, que manteve a estrutura e a metáfora central do significado da letra.

A canção chegou a inspirar uma campanha publicitária da empresa Coca-Cola na década de 80, com um arranjo mais próximo do rock e outros versos. A versão em inglês da música foi também utilizada, já na década de 90, como tema publicitário para o lançamento do Ayala Center, nas Filipinas.

Em 2001, foi nomeada como a melhor canção brasileira de todos os tempos em uma pesquisa de 214 jornalistas brasileiros, músicos e outros artistas do Brasil, conduzida pelo jornal Folha de São Paulo. Na pesquisa realizada pela edição brasileira da revista Rolling Stone, em 2009, a canção ocupa o segundo lugar, atrás de "Construção", de Chico Buarque de Holanda.

Tom Jobim e Elis Regina (1974)
Antecedentes

No ano anterior à composição de "Águas de Março"Tom Jobim havia sofrido a única grande perseguição política em sua vida. Em um protesto contra a censura que vigorava durante a ditadura militar no Brasil, Tom Jobim e alguns compositores assinaram um manifesto e se retiraram do Festival Internacional da Canção, da Rede Globo. Doze artistas, entre os quais Tom Jobim, foram detidos e, durante algumas horas, interrogados. Segundo declarações posteriores de Chico Buarque, Edu Lobo e Ruy Guerra, um diretor da emissora esteve presente e insistiu para que os compositores voltassem e retornassem ao festival. A pressão não funcionou, mas - na opinião de Chico Buarque e Ruy Guerra - instigou o aparelho repressivo do regime a enquadrá-los na Lei de Segurança Nacional. Depois, Tom Jobim foi intimado várias vezes a prestar depoimento, chegou a ter o seu telefone grampeado e a suas cartas, violadas.

Segundo Tom Jobim, a questão foi resolvida "de uma maneira bastante brasileira", quando um escrivão de polícia solidário o chamou e disse: "Olhe, o senhor não queira se meter com polícia... Isso aqui não é bom. Negócio de polícia não é bom. Vou bater um negócio aqui para o senhor..." E assim, o escrivão bateu à máquina de escrever uma declaração, que Tom Jobim assinaria. "Este papel aqui diz que o senhor não teve intenção!".

Também no período de gravação do álbum "Matita Perê"Tom Jobim teve outros motivos para viver preocupado, que aludiam a problemas de saúde, términos de projeto de vida ou desinteresse pelos mesmos, algo que mencionaria em entrevistas posteriores.

Para a revista Playboy, em 1988, Tom Jobim contou que, à época da criação de "Águas de Março", "o médico disse que eu ia morrer de cirrose. 'É um resto de toco, é um pouco sozinho'(...)".

Em 1992, para o Jornal do Brasil, ele declarou que escreveu a canção "em um período em que estava muito na fossa. Parecia que tudo havia acabado para mim, que eu não tinha mais nada a fazer. Eu bebia muito." Segundo depoimento de Edu LoboTom Jobim ressentia-se de que "ninguém ouvia seus discos". Helena Jobim ainda afirmou que o irmão brincava naquele período que temia encerrar a carreira "aos 80 anos, cantando 'Garota de Ipanema', num circo do interior e sendo vaiado".


Letra e Música

"Águas de Março" foi composta por Tom Jobim em março de 1972. O tema começou a ser trabalhado ao violão em seu sítio do Poço Fundo, em São José do Vale do Rio Preto, região Serrana do Rio de Janeiro. De acordo com depoimento de Thereza Hermanny, esposa de Tom Jobim à época, a inspiração para "Águas de Março" surgiu ao final de um dia cansativo de trabalho provocado pela composição de "Matita Perê", futura parceria com Paulo César Pinheiro, de onde decorrem os primeiros versos "É pau, é pedra, é o fim do caminho".

"(...) assim como quem está cansado mesmo(...) Quer dizer: foi uma música que surgiu numa hora em que ele estava querendo descansar!"
(Thereza Hermmany, sobre como surgiram os primeiros versos de "Águas de Março")

Tendo percebido imediatamente o valor da canção, ainda pela madrugada, Tom Jobim bateu à janela e acordou a irmã Helena Jobim e o cunhado para lhes mostrar o primeiro rascunho da letra, com a introdução e as primeiras frases, escritas a lápis em um papel de embrulho de pão. Thereza Hermmany recorda-se de haver lhe arranjado "um papel de desenho das crianças, porque lá não era lugar de muito trabalho". Não surpreende que em um primeiro rascunho da letra contivesse um grande número de referências pontuais: "O projeto da casa", "A viga", "O vão", "A lenha", "O tijolo chegando", "O corpo na cama".

De volta ao Rio de Janeiro, concluiu a canção em uma tarde. Assim que a terminou, Tom Jobim "passou no Antonio's e convocou todos os amigos que ocupavam a varanda do restaurante para ouvirem, na sua casa, a música nova". Quando se reuniram em torno de Tom Jobim, ele "puxou um papel todo amassado do bolso" e "tocando violão, cantou a música (...) Quem chegasse na sua casa, naqueles dias, era imediatamente contemplado com a audição de 'Águas de Março'".

"Águas de Março" teve, ao menos, duas grandes fontes de inspiração. Uma é o poema "O Caçador de Esmeraldas", do poeta parnasiano Olavo Bilac ("Foi em março, ao findar da chuva, quase à entrada / do outono, quando a terra em sede requeimada / bebera longamente as águas da estação (...)). Outra é um ponto de macumba, gravado com sucesso por J. B. de Carvalho, do Conjunto Tupi ("É pau, é pedra, é seixo miúdo, roda a baiana por cima de tudo").

A estrutura musical é articulada por um motoperpétuo. Sua letra é estruturada em um único verbo (ser), conjugado na terceira pessoa do singular no presente do indicativo em praticamente todos os versos - exceto no refrão, transformado em plural ("São as Águas de Março"). Há uma constante alternância entre versos considerados otimistas e pessimistas, além do uso de antítese ("vida", "sol" / "morte", "noite"), pleonasmo ("vento ventando"), paronomásia ("ponta" / "ponto" / "conto" / "conta").

Sua letra tem caráter pouco narrativo e fortemente imagético, constituindo-se como séries descritivas conectadas a um espaço semântico amplo. Muitos elementos, de natureza geral, podem referir-se à cena do sítio: "pau", "pedra", "resto de toco", "peroba-do-campo", "nó na madeira", "caingá", "candeia", "matita perê", o que enquadra "Águas de Março" em um repertório de canções ecológicas - que incluiria depois "Chovendo na Roseira", "Boto", "Correnteza", "Passarim", além das instrumentais "Rancho das Nuvens" e "Nuvens Douradas".

A letra se assemelha a um fluxo de consciência, se referindo a seres como pau, pedra, caco de vidro, nó na madeira, peixe, fim do caminho e muitas outros. A metáfora central das "Águas de Março" é tomada como imagem da passagem da vida cotidiana, seu motocontínuo, sua inevitável progressão rumo à morte - como as chuvas do fim de março, que marcam o final do verão no sudeste do Brasil. A letra aproxima a imagem da "água" a uma "promessa de vida", símbolo da renovação.

A letra e a música operam progressões lentas e graduais, à maneira das enxurradas. Os efeitos de orquestração chegam a ser cinematográficos, a partir das relações que estabelecem entre elementos musicais e imagens do texto. Algumas metáforas são dignas de nota pela sutileza e propriedade, como o quase imperceptível "tombo da ribanceira", que acontece numa rara variação rítmica da linha do contrabaixo, além de vários movimentos de crescendo e decrescendo do naipe de cordas, reforçando o apelo da imagem da chuva na letra.


Lançamento

"Águas de Março" foi lançada originalmente como lado A de um compacto encartado no jornal O Pasquim, em maio de 1972. A ideia teria sido do cantor e compositor Sérgio Ricardo, que propusera o lançamento de um compacto simples que combinasse, em cada um dos lados, uma música de um artista consagrado, e o outro, de um estreante. Chamado "Disco de Bolso, o Tom de Jobim e o Tal de João Bosco", trazia ainda no lado B "Agnus Sei", estreia de João Bosco, e uma parceria com Aldir Blanc.

A canção foi lançada, como faixa 1, do LP "Matita Perê", do mesmo ano. Tom Jobim tocou o piano e o violão, enquanto a percussão e a bateria ficaram por conta de, respectivamente, Airto Moreira e João Palma.

Em 1974, uma nova versão de Tom Jobim, gravada com Elis Regina para o álbum-dueto "Elis & Tom", foi lançada e obteve maior sucesso comercial. Para esta versão, foram creditados Cesar Camargo MarianoTom Jobim (piano), Hélio Delmiro e Oscar Castro Neves (violão), Luizão Maia (baixo elétrico), Paulinho Braga (bateria).


Versões

"Águas de Março" teve várias versões regravadas, tanto no Brasil, quanto no exterior. Em seu país de origem, destacaram-se as gravações de João Gilberto, Leny Andrade, Miúcha, Nara Leão, Joyce, Danilo Caymmi, Sérgio Mendes e d'Os Cariocas. Em outros países, "Waters Of March", como foi traduzida literalmente, recebeu, entre outros, as interpretações de Art Garfunkel, Al Jarreau, Ella Fitzgerald e Dionne Warwick. Uma versão em francês, "Les Eaux de Mars", foi interpretada pelo cantor Georges Moustaki.


Versão Anglófona

O compositor escreveu originalmente duas versões da letra, uma em língua portuguesa e outra em língua inglesa, esta chamada de "Waters Of March", e que manteve a estrutura e a metáfora central do significado da letra.

Para o inglês, ele tentou evitar palavras com raízes latinas, disso resultou que a versão anglófona acabou por ter versos a mais que a da língua materna. A letra em inglês conserva a característica de enumeração de elementos presente na portuguesa. Entretanto, algumas referências específicas à cultura brasileira, tais como festa da cumeeira e garrafa de cana, bem como da flora brasileira, a peroba do campo, e do folclore, Matita Pereira, foram omitidas. Além disso, a versão em língua inglesa também assume um ponto de vista específico, que se assemelha ao de um observador do hemisfério norte. Neste contexto, as águas mencionadas são as águas do degelo, e não as chuvas do fim de verão do hemisfério sul a que se refere o texto em português. A "promessa de vida" do texto em português virou "promessa de primavera", referência mais relevante para a maior parte do mundo setentrional.

Para conhecer mais sobre a vida e obra de Tom Jobim visite o blog Famosos Que Partiram.



Águas de Março

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol

É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumueira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
Uma ave no céu, uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé

São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é pouco, sozinho
É um caco de vidro, é a vida é o sol,
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração


Fonte: Wikipédia

domingo, 21 de abril de 2013

A Felicidade

A Felicidade
Tom Jobim e Vinícius de Moraes
1959

Música composta para o filme "Orfeu do Carnaval" de Marcel Camus, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes como Melhor Filme e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em Hollywood. Filme baseado na peça de Vinícius de Moraes "Orfeu da Conceição" que foi premiada em 1954 no concurso do IV Centenário da Cidade de São Paulo. Música que consagrou o cantor Agostinho dos Santos, inclusive internacionalmente devido ao grande sucesso do filme. Em 1959 foram feitas 25 gravações dessa música com diversos cantores. É considerada clássico dos compositores, clássico brasileiro e clássico da bossa nova!

A felicidade aborda o cotidiano comum do pobre que vê no carnaval sua felicidade contínua em três dias e que se finaliza na quarta-feira de cinzas. Além disso, a letra apresenta várias definições para esse tema, sempre finalizando em cada estrofe como um reforço de que é apenas algo passageiro e de tempo menor ao de sua ausência. É como podemos verificar em "Voa tão leve, mas tem a vida breve, precisa que haja vento sem parar..."

Felicidade é um daqueles conceitos simples e ao mesmo tempo, complexo. É subjetivo e é consenso de que é momentâneo como reforça a canção de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Felicidade para nós, amantes da boa música é contemplar uma canção como essa. A grande lição que absorvemos é aproveitarmos ao extremo os momentos que definimos como felizes e nos esforçarmos para estarmos aptos a passar por aqueles momentos em que julgamos ausentes de felicidade, preparando caminho para outros momentos felizes!

Para conhecer mais sobre a vida e obra de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, visite o blog Famosos Que Partiram.



A Felicidade

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei, de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor

Tristeza não tem fim
Felicidade sim


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Samba de Uma Nota Só

Samba de Uma Nota Só
Tom Jobim e Newton Mendonça
1954

"Samba de Uma Nota Só" foi composta por Newton Mendonça em 1954 e só foi concluída, em parceria com Tom Jobim, em 1959. Na verdade, Tom Jobim relutou, por um bom tempo, em completar o que ele chamava de "sambinha", só terminando a música após muita insistência de Newton Mendonça.

"Samba de Uma Nota Só" é reconhecida como a segunda música brasileira mais gravada no mundo, depois de "Garota de Ipanema" e é considerada, no livro "Caminhos Cruzados: A Vida e a Música de Newton Mendonça", "o caso mais perfeito de ajustamento entre letra e música".

A letra em inglês, "One Note Samba", foi escrita por Tom Jobim.

Seu título refere-se à linha principal da melodia, no qual primeiro consiste em uma longa série de notas tocadas em um mesmo tom, no ritmo da bossa nova, geralmente D, tocado na chave de G. Os primeiros oito compassos consistem em D, seguidos por quatro compassos de G, e por fim quatro compassos de D. Aí depois segue-se quatro compassos de melodia mais variada.

A canção ficou bem conhecida depois de atingir uma vasta audiência através do LP de bossa nova "Jazz Samba" (Getz / Byrd Jobim) de 1962, ganhador do Grammy, e que alcançou o primeiro lugar no Billboard 200 em 1963.

Regravações Notáveis

  • 1960 - Sylvia Telles (Amor Em Hi-Fi)
  • 1962 - Stan Getz e Charlie Byrd (Jazz Samba)
  • 1962 - Quincy Jones (Big Band Bossa Nova)
  • 1963 - Tom Jobim (The Composer Of Desafinado, Plays)
  • 1963 - Eydie Gormé (Blame It On The Bossa Nova)
  • 1965 - Percy Faith (Latin Themes For Young Lovers)
  • 1965 - June Christy (Something Broadway, Something Latin)
  • 1966 - Sérgio Mendes (Herb Alpert Presents Sérgio Mendes & Brasil '66)
  • 1967 - Frank Sinatra e Tom Jobim (Sinatra & Company)
  • 1967 - Perrey And Kingsley (Kaleidoscopic Vibrations: Spotlight On The Moog)
  • 1973 - Barbra Streisand (Barbra Streisand And Other Musical Instruments)
  • 1981 - Ella Fitzgerald (Ella Abraça Jobim, Pablo)
  • 1996 - Stereolab Herbie Mann (Red Hot + Rio)
  • 1998 - Bossacucanova (Revisited Classics)
  • 1998 - Stereolab (Aluminum Tunes)
  • 1998 - Bebel Gilberto e Vinicius Cantuaria (Next Stop Wonderland)
  • 2000 - Eumir Deodato & Barbara Mendes (Bossa Nova - Filme)
  • 2001 - Al Jarreau (Expressions)
  • 2006 - Olivia Ong (A Girl Meets Bossa Nova 2)
  • 2008 - The Postmarks (By The Numbers)

Para conhecer mais sobre a vida e obra de Tom Jobim Newton Mendonça visite o blog Famosos Que Partiram.



Samba de Uma Nota Só

Eis aqui este sambinha feito numa nota só
Outras notas vão entrar mas a base é uma só
Esta outra é conseqüência do que acabo de dizer
Como eu sou a conseqüência inevitável de você

Quanta gente existe por aí que fala tanto e não diz nada
Ou quase nada
Já me utilizei de toda a escala e no final não sobrou nada, não deu em nada

E voltei pra minha nota como eu volto pra você
Vou contar com a minha nota como eu gosto de você
E quem quer todas as notas: ré, mi, fá, sol, lá, si, dó
Fica sempre sem nenhuma
Fique numa nota só

E quem quer todas as notas: ré, mi, fá, sol, lá, si, dó
Fica sempre sem nenhuma
Fique numa nota só


Fonte: Wikipédia

quarta-feira, 27 de março de 2013

Desafinado

Desafinado
Tom Jobim e Newton Mendonça
1958

"Desafinado" é uma canção bossa nova, composta por Tom Jobim e Newton Mendonça lançada como um single por João Gilberto em 1958 e incluída em seu álbum de estreia, "Chega de Saudade", lançado em 1959.

A canção é uma resposta à crítica da época, que considerava a bossa nova "música para cantores desafinados".

A canção foi posteriormente gravada por diversos artistas, incluindo Tom Jobim, Herb Alpert, Ella Fitzgerald e Stan Getz, que em 1963 ganhou o Grammy de Melhor Performance de Jazz Por Um Solista ou Grupo Pequeno. Duas adaptações da canção para a língua inglesa foram realizadas: "Slightly Out Of Tune", por Jon Hendricks e "Off Key", por Gene Lees.

Para conhecer mais sobre a vida e obra de Tom Jobim e Newton Mendonça, visite o blog Famosos Que Partiram.



Desafinado

Quando eu vou cantar, você não deixa
E sempre vêm a mesma queixa
Diz que eu desafino, que eu não sei cantar
Você é tão bonita, mas tua beleza também pode se enganar

Se você disser que eu desafino amor
Saiba que isto em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm o ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu

Se você insiste em classificar
Meu comportamento de anti-musical
Eu mesmo mentindo devo argumentar
Que isto é Bossa Nova, isto é muito natural

O que você não sabe nem sequer pressente
É que os desafinados também têm um coração
Fotografei você na minha Rolley-Flex
Revelou-se a sua enorme ingratidão

Só não poderá falar assim do meu amor
Este é o maior que você pode encontrar
Você com a sua música esqueceu o principal
Que no peito dos desafinados
No fundo do peito bate calado
Que no peito dos desafinados também bate um coração


Fonte: Wikipédia

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Eu Sei Que Vou Te Amar

Eu Sei Que Vou Te Amar
Vinícius de Moraes e Tom Jobim
1958

"Eu Sei Que Vou Te Amar" é uma canção de Vinícius de Moraes e Tom Jobim composta em 1958. É considerada a 24ª melhor música brasileira pela revista Rolling Stone Brasil. "Eu Sei Que Vou Te Amar" é um samba-canção com inúmeras regravações, inclusive no exterior. É inesquecível a versão na qual Maria Creuza interpreta a canção enquanto Vinícius de Moraes, o Poetinha, declama o "Soneto de Fidelidade".

Inspirados na ideia da canção, em 1986, Arnaldo Jabor (direção) e Helio Paula Ferraz produziram "Eu Sei Que Vou Te Amar", grande clássico da dramaturgia brasileira, que rendeu inclusive o prêmio de melhor atriz para Fernanda Torres, no Festival de Cannes.

A música fez parte da trilha sonora de várias novelas, como: "Bambolê" (1987 - Carla Daniel), "Beleza Pura" (2008 - Nana Caymmi e Maácio Faraco), "América" (2005 - Caetano Veloso), "A Feia Mais Bela" (2006 - Jaime Camil), "Anjo Mau" (1997 - Anna Lengruber), dentre outras.

Para conhecer mais sobre a vida e obra de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, visite o blog Famosos Que Partiram.



Eu Sei Que Vou Te Amar

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar

E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar

E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida


Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Fonte: Museu da Canção